Mãe… de novo!

O que faz uma pessoa querer ser mãe duas vezes? Digo querer mesmo, porque muitas vezes é sem querer e vc tem que conviver com isso, mas esse não foi o meu caso. Eu quis, eu quero e eu escolhi ser mãe de novo.

O momento pode não ter sido exatamente planejado como foi da primeira vez. Fomos pegos “de surpresa” com a notícia de que teríamos o segundo filho, mas quem brinca com fogo sabe o que está fazendo, não é mesmo? Mas esse sempre foi nosso desejo, mesmo que ainda tivesse medo de falar isso em voz alta.

Mas o que leva uma mãe a querer passar por tudo isso mais uma vez? Companhia para o primeiro filho? Queria agora tentar uma menina? Vocação para a maternidade? Saudades de ter um bebê em casa? Os meses da licença maternidade? Falta de propósito na vida? Sonho de ter uma família grande reunida na mesa de Natal? Todas essas respostas são verdadeiras.

Mas não é por isso que você veio, não é mesmo, minha filha? Você não veio para ser companhia para seu irmão, nem para ser a princesinha do seu pai e nem para ser um novo bebêzinho lindo e cheiroso em meus braços, embora você possa ser tudo isso. Você está vindo para ser a Maria Luiza.

E eu estarei aqui para ser sua mãe, a pessoa que está te carregando na barriga essas 40 intermináveis semanas, que vai passar pelo parto, amamentação e puerpério tudo de novo e agora sem poder dizer que ninguém avisou como era difícil, porque isso eu já sabia. E que também estará aqui para te acolher e te amar mais do que a mim mesma.

Só não descobri ainda uma coisa: como coração de mãe cresce e duplica de tamanho. Porque se dividir eu tenho certeza que não se divide. O meu amor pelo João Marcelo não diminuiu nem um tantinho sequer, mas o meu amor pela Maria Luiza já está aqui.

Minhas preocupações tem sido muito mais como me dividir como mãe, como ser inteira para meu menino que precisa tanto ainda de mim e como me conectar com essa bebê que está chegando. Sei que vou conseguir, tenho fé que vamos nos adaptar e que eu não vou ser perfeita para os dois, mas serei a melhor mãe que eu posso ser.

E quem será Maria Luiza ainda não sabemos, mas eu estou doida para te conhecer minha filha. Quando você quiser, estamos te esperando nesse mundo louco. Te amo!!

33

A crise bateu. Achei que não chegaria pra mim. Com 29 decidi ser mãe, com 30 engravidei, com 31 era um peito jorrando leite e um zumbi ambulante, com 32 comecei a ter uma breve ideia de que eu era uma pessoa novamente, mas tinha outra pessoinha tão mais importante que eu precisava conhecer e descobrir que não liguei muito para as minhas próprias necessidades, meus próprios desejos.

E eis que chegaram os 33. Junto com isso veio o tão temido e esperado desmame. E, pasmem, está sendo muito mais tranquilo do que eu imaginava. Começo a achar que a necessidade do mamá era mais minha do que dele.

Mas aqui estou eu. Mãe sim, mas com meu peito de volta só pra mim. E com a minha vida de volta. Não só pra mim, mas que precisa ser tomada de volta. Mas de volta como? Quem habitava esse corpo antes de toda essa revolução? Era outra pessoa. Não sou mais eu.

Eu quero… hummm deixa eu pensar. Quero jogar meu guarda-roupa fora, mudar o visual, fazer uma tatuagem, dançar… Talvez eu faça tudo isso. Talvez não.

Eu gosto… de dormir, de tomar banho demorado e… Acho que tem mais coisa pra entrar nessa lista aí. Tem que ter.

O que eu sei que tem é uma mãe, mas tem também uma mulher, uma esposa, uma filha, uma amiga, uma profissional, uma estudante, uma leitora e as vezes até uma escritora. Tem uma Annelise, agora com 33.

Mãe?

Há um ano mais ou menos um encontro acontecia aqui dentro de mim: dois gametas se encontraram e uma vida se iniciava. Eu ainda não fazia ideia do que estava acontecendo e que estava ali me tornando mãe. Será que foi naquele momento? Outro que eu me lembro muito bem foi a manhã de sábado de abril, quando um dia de atraso me fez desconfiar e “só pra desencanar” fiz aquele teste que mostrou os dois tracinhos não muito nítidos, mas suficientes para causar um baita frio na barriga. Mesmo assim não acreditei. Eu já era mãe? Foi preciso o piquezinho da agulha e as seis horas mais longas da minha vida para o exame de sangue confirmar: positivo! É agora, é verdade, sou mãe! A felicidade me invadiu, mas ainda não me sentia mãe.

Os primeiros enjôos e aqueles 3 meses que não dá vontade de sair da cama passaram. Vieram as primeiras ultras, os primeiros chutinhos. Acho que aí começou a parecer mais sólido, mas ainda assim era difícil acreditar. Eu sou mãe?

Depois daquele barrigão imenso, me senti a mulher mais completa do mundo e linda também, porque não? Como tive orgulho da minha barriga. Acho que foi a parte do meu corpo que mais amei até hoje: minha barriga de grávida! Ela pesava, dava dor nas costas e dificuldade para respirar, mas era linda! Mas é aí, mamãe? Eu continuava me sentindo a mesma pessoa: menina mulher, insegura e forte, morrendo de medo, mas cheia de garra.

O parto, ah o parto. Era o que mais me dava medo, mas foi tudo maravilhoso. Se é que dá pra chamar de maravilhoso a maior dor da sua vida, mas depois de sentir meu filho nos braços nem lembrava mais da dor. Anestesia não precisei, sou uma “parideira” como disse minha obstetra. Foi muito mais rápido do que imaginei que seria e a dor foi, digamos que, administrável. Com a ajuda do papai e da amiga doula, tudo foi possível. 

Com ele no colo eu me senti mãe, finalmente. Mas peraí, eu sou a mesma pessoa. Cadê aquela leoa? Cadê o instinto materno? Ah, deve estar chegando, calma, pensei.

Amamentação, taí uma das coisas que mais tenho orgulho e prazer até agora. Amamentei ainda na sala de parto e sigo amamentando exclusivamente. Meu super tio-pediatra foi fundamental para me ajudar. Sim, é preciso ajuda, amamentar não é nada natural e “automático” como muitos pensam. Mas foi tudo lindo e eu amei e amo dar de mamar. Me sinto mais mãe a cada mamada.

Então é isso? Eu sou mãe? Mas será que ele me reconhece? Ele é tão pequeno, eu não dou conta nem de fazê-lo parar de chorar. Será que ele me ama? A insegurança bateu. Aqueles choros inconsoláveis foi a pior parte. Nada é tão desesperador do que ver seu filho chorar sem saber o que fazer. Cadê? Cadê o instinto materno? O que eu tenho que fazer? Alguém me ajuda? Eu sou a mãe, mas não tenho a menor ideia do que estou fazendo!

Sorte minha é que tinha sim muita gente pra ajudar. Diagnosticamos o refluxo logo cedo e começamos o tratamento. Era um revezamento de colo: mamãe, papai, vovó, vovô, titios, titias… e dê de balançar o menino. Golfa daqui, acalma dali, e o choro não para. 

Ele dormiu, vou respirar. Qual a prioridade agora: vou no banheiro, como alguma coisa, tomo banho? E as roupinhas, tá tudo em dia? Ah isso vovó tá cuidando. O que eu vou comer? Papai tá vendo. A casa? Essa fica pra outra hora. Eu penteei o cabelo hoje?

Primeira consulta no consultório do pediatra e… vamos investigar a alergia ao leite de vaca. Não tá normal tanto chororô. Ufa! Tem como melhorar? Como que eu ia saber se tá normal ou não? Nunca cuidei de um bebê antes. Rsrs

Para de comer leite e derivados. Ai meu Deus, mas essa agora? Como é possível viver sem leite, queijo, chocolate? Mas se é pra ele melhorar, topo até comer jiló ou parar de comer chocolate (foi quase isso se não fosse a amiga confeiteira/alérgica tb) Rsrs. 

E meus dias são assim: um sorriso aqui, um olhar ali, uma gracinha, um aperto no meu dedinho, um mamazinho que consola, uma conversa de ôôô e aaa. Novas descobertas para nós dois, assim estamos nos conhecendo e nos reconhecendo. 

E agora eu sou mãe? Sim, definitivamente! Mãe do João Marcelo, o bebê mais lindo do universo. Meu careca cabeludo, grandão e banguela. Quando isso aconteceu? Não sei, acho que foram todos os dias, um de cada vez, foi e está sendo uma construção. Todos os dias da minha vida e todas as escolhas que eu já fiz me trouxeram até aqui. E eu não poderia estar mais feliz. Sem dormir e toda trabalhada no cheiro de golfo, mas feliz!

Medo do tempo

Todas as pessoas têm medo. Não um, mas vários medos. O medo é uma questão de sobrevivência. Precisamos do medo. Medo de altura, medo de escuro, medo de ladrão, medo de fantasma, medo de barata… 

Sinceramente eu não tenho nenhum desses medos. Eu tenho é medo do tempo. Mas não é medo de ficar velha, de passar o tempo nem nada disso. Tenho medo é de não dar tempo. Não dar tempo de fazer tudo que quero fazer ainda na vida. Tem tanta coisa para conhecer e experimentar nesse mundo que é impossível dar conta de tudo. Não vai dar tempo! E isso é assustador.

E aí o que acontece? Eu fico paralisada. Não sei escolher o que fazer primeiro, a que dedicar meu tempo. Sofro de ansiedade por isso e não sei bem como lidar.

É preciso ter calma e foco. Fico repetindo mentalmente para mim mesma “uma coisa de cada vez, uma coisa de cada vez”.

Já que não vai dar tempo de tudo então é preciso fazer escolhas. Aí danou-se, é outro sofrimento, porque escolher significa deixar pra traz algo, desapegar.

To lendo um livro ótimo agora de uma das minhas escritoras preferidas, Elizabeth Gilbert, “A grande magia”. Fala sobre criatividade e inspiração. Ela tem uma teoria muito divertida sobre as ideias. 

Como eu não quero que as ideias me escapem, to investindo mais nelas e, baseado nisso, eu estou desenvolvendo um processo para me ajudar com meu medo do tempo e não paralisar, mas pular para a próxima fase. 

É um ciclo:

Despertar, divagar, organizar, focar e trabalhar.

Eu já despertei da inércia. A iminência dos meus 30 anos me fez parar para pensar. Agora eu estou na fase da divagação, como deve ter dado para perceber. Amo essa fase, é quando eu penso sobre a vida, sobre e mundo e sobre mim. Mas normalmente eu paro por aí. 

Agora preciso passar para a próxima fase que é organizar a ideia e definir o projeto, gerenciando as expectativas. Empolgação e promessas vazias também não adiantam da nada.

Continue a nadar, continue a nadar…

Às vezes a vida nos faz parar e ressignificar o que estamos fazendo. O piloto automático quebrou, é preciso assumir o leme e continuar navegando. Mas para onde entramos indo mesmo?

Eu estou indo em busca do autoconhecimento. Preciso descobrir quem eu sou, quem eu quero ser, do que eu gosto, o que me faz feliz. Claro que sei muitas coisas sobre mim, não sou uma completa desconhecida por mim mesma, mas me dei conta agora de uma distorção que eu sofro ou sofria. Eu sempre procurei me entender pelo olhar dos outros sobre mim. Através do que o outro me significava, me via e me analisava eu tentava construir a minha identidade.

O problema é que para descobrir quem eu sou eu me mostrava para fora e procurava a interpretação externa. Ou seja, a visão do outro era central na construção do que eu mesma enxergava sobre mim.

Bem, não sei bem como cheguei a essa conclusão, mas a questão é que estou tentando voltar para dentro e descobrir o que eu mesma penso sobre mim. Ou o que eu quero para mim. A vida já começou, não existe treino ou ensaio. É agora ou nunca. 

É preciso nadar, porque a correnteza é forte e se deixar ela te carrega. Então vamos nadar, vamos descobrir, vamos trabalhar. A vida é minha e quero ser protagonista e autor da minha própria história.

 

Perspectiva

Somos tão pequenos. Nossos problemas são tão mínimos que tenho até vergonha de chamar de problemas. 
Como pode sermos tão auto centrados e egoístas se o universo é tão gigante, se existem mais de 7 bilhões de pessoas nesse planeta, se a expectativa de vida da nossa geração já é de 120 anos. 

Se a vida pode terminar sem antes ter começado ou durar mais do que sua própria consciência.
Será que dá para colocar em perspectiva e se preocupar menos? 

Será que dá para aprender tudo que ainda quero aprender, conhecer todos os lugares que ainda quero conhecer, ler todos os livros que quero ler, comer, beber, experimentar, dançar, cantar, voar… 

Acho que deve dar. Mas na dúvida é melhor começar agora.

Quase

Falta um mês para meu aniversário. Estou com quase 30 e finalmente está chegando essa tão esperada e tão temida idade. Eu acho que desde os 25/26 anos sinto que estou com quase 30. Na verdade, nunca me senti muito confortável com 20 e poucos. A juventude meio que nos pressiona para ser jovem. Eu sou jovem, mas jovem do meu jeito assim meio velha, mas não sou velha. Eu não sou velha! Adoro dizer que estou velha só para ver se me convenço disso, mas eu mesma fico chateada com a ideia de ser velha. Muito estranha essa minha cabeça, mas enfim. Cheguei aqui finalmente nos quase 30! 
Mas porque estou falando do quase e não dos 30 propriamente ditos? É porque o quase que me perturba. O quase 30 é só mais um quase que tem me perturbado ultimamente. Outro quase que vem mexendo comigo é o quase grávida. Todo mês acho que chegou a hora, mas não, quase! E o exercício físico que prometi começar no início do ano? Visitei academia, fiz aulas experimentais de pilates, mas ainda estou no quase. 
Ah, o trabalho está quase perfeito, eu quase consigo sair na hora certa, o tempo quase dá pra eu cuidar da casa, o encontro as amigas eu quase consegui ir e no chopp foi quase todo mundo. A família eu consigo lembrar de ligar quase sempre e o marido, eu quase dou toda a atenção que ele merece.
Cansei. Cansei do quase. Quero que chegue os 30 logo de uma vez e ser inteira: 30 por inteiro, eu por inteiro. Nova ou velha, tanto faz, mas perfeitamente imperfeita e completa.

Ass: Eu, que não sei bem quem é, mas estou descobrindo.